O início das festas em honra do Rei Momo, em Canas de Senhorim, perde-se no tempo.
A inexistência de documentos escritos não permite que, com absoluta certeza, se possa assegurar a data-início.
Todavia, por transmissão verbal, “sabe-se” que os avós dos nossos avós já dançavam nas grandes rodas que os Bairros do Paço e do Rossio organizavam, respectivamente, no Terreiro da Igreja e no “Ferro de Engomar”, designação por que era conhecida a “ilha” onde, actualmente se encontra a Residencial Rossio.
Naquele tempo… mulheres e raparigas aperaltavam-se com trajes o mais garridos possível e os homens, ao pescoço, punham um lenço, cujas pontas eram presas com uma caixa de fósforos… O papel de jornal, ou pardo, servia para os machos fazerem uns “capacetes”…
No início do século passado – e até meados do mesmo – as festas resumiam-se às rodas.
Só por volta dos anos cinquenta é que surgiram os primeiros “carros alegóricos”, normalmente carroças ou carros de bois enfeitados com mimosas, flores naturais de Inverno e flores de papel colorido.
A organização das marchas estava a cargo de comissões, que eram constituídas por homens maduros… a quem competia rogar os músicos, comprar os foguetes, tirar as licenças e dispor os foliões na marcha…
Com o incremento da rivalidade entre Paço e Rossio, as indumentárias e os carros alegóricos eram feitos com o maior dos segredos! Só assim era garantido o sucesso do efeito surpresa!
Até aos anos sessenta, quer num bairro, quer no outro, as ancestrais tradições eram religiosamente cumpridas…
As paneladas lançadas portas adentro, os pisões, as farinhadas às moças solteiras e as rusgas de mascarados retratavam rituais carnavalescos de que os mais foliões se regozijavam…
As terças-feiras de Entrudo eram, também, o dia para alguns ajustes de contas por actos cometidos ao longo do ano, baseados no velho princípio de que “É Carnaval… ninguém leva a mal!”…
Após a Revolução de Abril de 1974, e sentindo-se, já, algumas dificuldades na nomeação das comissões, entendeu-se que era necessário criar uma Associação. E é, assim, que no dia 1 de Março de 1979 se reúnem seis amigos, no Salão Nobre da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim para decidirem sobre a criação daquela que viria a ser a ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL DO PAÇO.
Os seis amigos:



Estes amigos, que passaram a constituir a Comissão Instaladora da futura A.R.C.P., tinham por missão elaborar os Estatutos, legalizar a Associação, arranjar instalações para a futura sede, angariar sócios e preparar as primeiras eleições de Corpos Gerentes
Os Estatutos foram publicados no Diário da República de 27 de Fevereiro de 1980.
No dia 16 de Março de 1980 ocorreu uma Assembleia Geral em que foram eleitos os primeiros Corpos Gerentes da Associação, a saber:
ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: Germano Pinto Simão
1º. Secretário: Luís Fernando Gouveia Sampaio
2º. Secretário: Joaquim Henriques Cancela
DIRECÇÃO
Presidente: Manuel Esteves de Figueiredo
Vice-Presidente: Rubens Rodrigues de Sousa Craveiro
Tesoureiro: Fernando Lopes Martins
1º. Secretário: António Luís Soares de Moura
2º. Secretário: António da Cruz Gonçalves
1º. Vogal: António Manuel Esteves de Figueiredo
2º. Vogal: António Carlos Mouraz Alexandre
1º. Vogal Suplente: José António da Costa Lourenço
2º. Vogal Suplente: António Mário dos Santos Rodrigues
CONSELHO FISCAL
Presidente: Ernesto José Marmelo Canelas
Secretário: Abílio da Silva Fraga
Relator: Maria Isabel Pinto Andrade
